Irmãos morrem carbonizados em Linhares

Os pais dos dois irmãos que morreram carbonizadas, em Linhares, estiveram no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, na tarde desta segunda-feira (23) para fazer a coleta de material genético. Isso porque, de acordo com a Polícia Civil, a identificação só será feita por exame de DNA.

Irmãos morrem carbonizados em Linhares

“Temos que coletar o material genético do pai e da mãe, pois uma das crianças é filha do casal e a outra apenas da mulher. O prazo é de 15 dias para que o resultado saia e os corpos só serão liberados após o resultado. Nós primeiro tentamos identificar através das digitais, depois com a arcada dentária, mas como não daria com nenhum desses procedimentos, foi necessário o exame de DNA”, explicou o superintendente de Polícia Técnico-Científica, delegado Danilo Bahiense.

O delegado também disse que a princípio os corpos estavam no Instituto Médico Legal (IML) de Linhares, mas foi necessário transferi-los para a Capital. “Eles foram trazidos para Vitória por causa dos recursos daqui e por causa do laboratório que funciona aqui”, afirmou Bahiense.

Muito abalado ao sair do DML, o pastor George Alves, pai de Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e que também considerava Kauan Sales Burkovsky, de 6 anos, como filho, disse que estava dormindo quando tudo aconteceu. Ele contou que acordou e viu tudo através da babá eletrônica. O pastor ainda tentou retirar os filhos do quarto, mas não teve sucesso.

“Em relação aos trâmites, vir aqui, isso é irrisório. Acho que não há dor maior do que aconteceu. Os órgãos responsáveis estão fazendo de tudo, recebemos muito apoio. Minha esposa tinha ido viajar, estava num seminário de mulheres. Fui numa sorveteria com eles, fui na casa de um membro, voltei para casa, dei banho nos dois, eles assistiram filme comigo. O menor dormiu primeiro, levei para cama, liguei o ar, liguei a babá eletrônica e voltei para o escritório. Depois levei o outro, orei com ele e pedi para que Deus o guardasse e o protegesse. Saí do quarto tomei banho, liguei a babá eletrônica e dormi. Eu apaguei. Umas 2h eu escutei os gritos deles, vi fogo e corri desesperado. Na casa já não tinha energia, empurrei a porta e escutei os choros, mas não consegui pegar. Eles se abraçaram. Eu queimei meus pés, minhas mãos, mas não consegui tirar. Me tiraram da casa”, relatou.

O pai destacou que só está firme por conta da fé que tem, pois essa não é a primeira tragédia que acontece na família. Há pouco mais de um ano o casal também perdeu uma filha. “Eu tenho a única certeza que é Deus. A força que eu tenho vem de Deus e é ele que está nos mantendo firmes. Eu sei que pessoas serão alcançadas por esse testemunho e o mundo precisa de Deus. Se eu não tivesse um Deus eu não estaria aqui. Há cerca de pouco mais de um ano perdi uma filha por um problema intestinal. Se não fosse ele não estaria aqui. É isso que nos fortalece. Queremos levar essa mensagem para o mundo todo, que é Deus que conforta os nossos corações. Deus é capaz de restaurar todas as coisas”, afirmou.

O pai do menino mais velho também esteve no DML e teve materiais genéticos colhidos. Também muito abalado, ele disse que apesar de morar em Vitória e o filho em Linhares, eles eram próximos e o pastor cuidava dele como filho também.