Jovem de Anchieta perde a perna por causa de câncer, vira atleta e sonha em disputar paraolimpíada

Para muitas pessoas descobrir um câncer e perder uma perna por conta da doença pode parecer uma tragédia, mas para Douglas Ferreira de Souza, de 22 anos, isso foi o começo de uma nova vida. Ele se tornou atleta e sonha em seguir carreira no triátlon.

Jovem de Anchieta perde a perna por causa de câncer, vira atleta e sonha em disputar paraolimpíada
Mesmo amputado, Douglas voltou a praticar esportes através do surf.

Douglas é morador de Anchieta e relatou que aos 16 anos apareceu um caroço no tornozelo direito que lhe causava muitas dores e buscou atendimento na cidade, mas a doença só foi descoberta no hospital Santa Rita, em Vitória. “Quando descobri a doença ela já estava no estágio três e faltava pouco para tomar o corpo todo. Fiquei um ano fazendo quimioterapia e depois não reduziu o tanto que os médicos queriam para poder fazer a raspagem aí foi preciso amputar minha perna”.

Ele contou que antes da doença estudava e praticava esportes, mas ainda não era um atleta. Após ser amputado, as atividades esportivas começaram no mar. “Eu já surfava com prancha de surfe antes da amputação e depois voltei devagar. Tive que surfar com a prancha de Body Board e depois fui me adaptando”.

Depois do surf Douglas aderiu um novo esporte, o ciclismo. “Também fui conhecendo um pouco de bicicleta com o convite do meu amigo Helinho, que me chamou para pedalar com ele. Depois de um tempo ganhei uma bicicleta e saí pedalando com a prótese que eu ganhei do SUS e já comecei a participar das competições e comecei a ganhar troféu”.

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Douglas ficou em segundo lugar geral na primeira competição de ciclismo que participou em Minas Gerais.

A primeira competição que disputou foi há quatro anos em Minas Gerais, onde ficou em segundo lugar. Mesmo indo bem na competição Douglas não tinha suporte para seguir no esporte e acabou desistindo. “Eu não tinha quem me ajudasse. Era eu sozinho para correr atrás de tudo e é difícil assim. Tive que parar porque não tinha quem me ajudasse com uma bicicleta boa nem a viagens. Então comecei a trabalhar e fiquei em uma firma por um tempo e depois fui para o mar pescar. Fiquei quatro anos parado”.

A paixão pelo esporte falou mais alto e ele decidiu voltar a se dedicar ao sonho de ser um atleta profissional. “No ano passado descobri um projeto em Anchieta e voltei a treinar, mas ele também acabou. Foi então que conheci o Alexandre Medeiros e o Wesley Damasceno e eles vem me dando um apoio e estamos seguindo em frente”.

Na academia do Alexandre Douglas realiza o treino funcional e ainda recebe o incentivo que precisa. Além de treinar na academia todos os dias, o jovem ainda nada um quilômetro três vezes por semana na companhia de um amigo na lagoa da cidade. “Já participei dois campeonatos de natação em que disputei com atletas normais e fiquei em segundo lugar na colocação geral”, conta o jovem orgulhoso do seu feito.

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Douglas foi campeão no Desafio de Ciclismo São José de Anchieta, que foi realizado durante os Passos de Anchieta esse ano.

Recentemente o jovem atleta realizou outro feito. “Fui campeão agora pedalando 100 quilômetros de Vitória até Anchieta no campeonato que teve durante os Passos de Anchieta”.

E não parou por aí, ele decidiu acrescentar a corrida em suas competições participou da Rock Running Obstacle Race, em Guarapari, no último dia 18. “Essa foi minha primeira competição em corrida. Nunca tive essa experiência de correr com prótese e ela não é adequada para isso. Ela acabou ferindo a minha perna e não tive uma boa colocação”.

Agora o jovem deseja em unir os três esportes que já disputou e se tornar um atleta de triátlon, mas precisa da doação de uma prótese. “Estamos correndo atrás para conseguir entrar para o triátlon. Só está faltando a prótese para tornar realidade o meu para eu correr atrás de tudo que posso correr e dar um nome para o estado”.

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O jovem também participou da corrida de obstáculos que aconteceu recentemente em Guarapari.

“Ele tem um potencial incrível para o triátlon. Na natação ele participou do campeonato de travessias competindo com os guarda-vidas e pessoas normais e está pegando o pódio direto. No ciclismo ele participou agora do Desafio São José de Anchieta e chegou na frente na categoria dele. Aí a gente está tentando adaptar agora a parte do atletismo em busca de uma prótese. Só que uma prótese dessas custa 30 mil reais. Para a gente começar realmente desenvolver nele o triátlon paraolímpico porque não tem no estado e ele é muito forte nessas modalidades”, explicou o treinador Alexandre.

Douglas também revelou seu maior sonho. “Meu sonho é um dia chegar as olimpíadas e colocar o Brasil no primeiro lugar no pódio para levantar a moral do nosso país porque a gente está com a moral lá embaixo. Quero poder mostrar que existe gente boa no nosso país”.